Durante décadas, a pergunta padrão de quem comprava viagens na empresa era simples: qual agência contratar? A resposta exigia comparar taxas de serviço, referências de atendimento e contratos de fidelidade — e, depois de assinado o contrato, a empresa vivia anos dentro de uma relação exclusiva, na qual cada tarifa vinha de uma única fonte.
Esse modelo está sendo questionado. O movimento que a Band chamou de virada do setor coloca em evidência um formato diferente: o ambiente multiagência, em que diferentes agências homologadas operam dentro da mesma plataforma e disputam cada compra individualmente. A Uniglobe Pro apareceu na reportagem como a primeira agência de viagens corporativas a apostar nesse modelo, operando sobre a tecnologia da travel tech Loupit.
A pergunta deste artigo é direta: o futuro das viagens corporativas será multiagência? A resposta, sustentada pelos números que já existem e pela lógica econômica do setor, aponta para sim — e este artigo explica por quê.
O problema do modelo de agência única
No modelo tradicional, a empresa escolhe uma agência e passa a consumir majoritariamente as tarifas e condições daquela operação. A disputa comercial acontece no momento da contratação — e se concentra no que a agência cobra: o fee, a taxa por transação, o valor do contrato.
Só que o fee é uma parcela pequena do custo. A metáfora popularizada na reportagem da Band ajuda: enquanto todos olhavam uma pequena formiga, um elefante passava ao fundo. A formiga é a taxa de serviço; o elefante é o custo da viagem — passagens, hotéis, locação, transfer. Depois do contrato assinado, não existe mais leilão: cada compra paga o preço que aquela única fonte apresentou.
É por isso que um contrato com fee baixo pode conviver com viagens caras. A economia na taxa desaparece na primeira comparação de custo total — e a empresa só descobre isso se fizer a comparação por fora, o que raramente acontece de forma sistemática.
O que é o modelo multiagência
No marketplace de viagens corporativas, diferentes agências homologadas operam dentro da mesma plataforma. Quando um colaborador solicita uma viagem, a mesma busca apresenta preços, disponibilidades e condições comerciais de várias fontes — companhias aéreas, hotéis e agências — na mesma tela.
A diferença em relação ao modelo único é estrutural: a concorrência deixa de acontecer apenas quando o contrato é assinado e passa a acontecer em 100% das compras. Uma agência pode ter a passagem mais barata; outra, melhor condição de pagamento; uma terceira, o hotel com melhor tarifa naquele dia. O cliente deixa de comparar a taxa cobrada e passa a comparar o custo final da viagem — em cada solicitação, todos os dias.
Estudo da Loupit com 164 empresas encontrou diferenças de até 32% entre fornecedores para a mesma viagem. Na prática, isso significa que a mesma passagem de São Paulo para Recife pode custar valores muito distintos dependendo da fonte consultada — e que quem compra sem comparar assume um custo que nunca foi colocado em disputa.
Os primeiros resultados já existem
O caso mais citado é o do Grupo Inttra, que economizou R$ 1 milhão no primeiro mês de operação no modelo multiagência. Não se trata de uma economia acumulada em anos de renegociação: apareceu já no primeiro ciclo de compras, simplesmente porque cada transação passou a ser disputada.
O timing importa. Quando a economia depende de renegociação de contrato, ela é lenta, exige reunião e depende da disposição do fornecedor. Quando depende de comparação em cada compra, ela é imediata e contínua — e não exige que a empresa abra mão de política de viagens, aprovações ou dados centralizados.
Fonte: Blue Studio / Estadão — Como o Grupo Inttra economizou R$ 1 milhão do custo de viagens corporativas
Por que só agora o modelo se tornou viável
O multiagência não é uma ideia nova. O que mudou foi a tecnologia necessária para operá-lo. Para que várias agências disputem a mesma compra dentro de um ambiente com política, aprovações e dados unificados, é preciso uma camada de software que padronize a comparação, aplique a política da empresa na tela e registre cada transação em um único lugar.
É aqui que as travel techs entram. Plataformas construídas com essa arquitetura resolvem o problema que antes inviabilizava o modelo: manter a concorrência sem perder o controle. A empresa mantém política de viagens, fluxo de aprovação, prestação de contas e relatórios como se tivesse uma agência única — mas com várias fontes disputando cada tarifa.
A inteligência artificial acelera a transição
O segundo ingrediente é a inteligência artificial. No modelo multiagência, o gestor passa a ter mais fontes, mais tarifas e mais dados do que qualquer analista consegue acompanhar em planilha. A IA entra exatamente aí: compara tarifas em tempo real, identifica oportunidades de economia, sinaliza bilhetes não utilizados e responde perguntas em linguagem natural.
Na prática, o gestor pergunta 'quanto gastamos com viagens para o Nordeste neste trimestre?' e recebe a resposta em segundos — com o comparativo entre fontes já embutido. A inteligência artificial transforma o ambiente multiagência em algo administrável: sem ela, a abundância de opções vira ruído; com ela, vira decisão informada.
Na Uniglobe Pro, essa combinação já opera: a integração com IA conecta ChatGPT, Claude e Gemini à plataforma de gestão, com controles de segurança e as permissões da empresa.
O atendimento humano continua decidindo
Nenhum modelo de tecnologia elimina as situações que fazem um programa de viagens dar errado: voo cancelado às 23h, conexão perdida, cliente esperando em outro país. O que muda no modelo multiagência é que a competitividade comercial deixa de depender do mesmo ponto que o atendimento — a empresa não precisa aceitar atendimento mediano para ter preço bom, nem preço ruim para ter atendimento bom.
Na Uniglobe Pro, o plantão emergencial funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, com consultor da própria equipe, histórico do viajante na tela e primeira resposta em minutos — da reemissão de passagem e nova conexão ao hotel de última hora e mobilidade do viajante. A concorrência no marketplace e a continuidade do atendimento são camadas separadas, e é isso que torna o modelo sustentável.
Sinais de que o futuro é multiagência
Nenhum sinal aparece isolado, mas o conjunto aponta na mesma direção:
- A reportagem da Band registrou a primeira agência de viagens corporativas apostando no modelo multiagência — o que costuma ser o início da difusão de um padrão no setor.
- O estudo com 164 empresas mostrou diferenças de até 32% entre fornecedores para a mesma viagem — um volume de ineficiência difícil de sustentar quando existe tecnologia para eliminá-la.
- Casos como o do Grupo Inttra, com R$ 1 milhão de economia no primeiro mês, criam pressão competitiva: empresas que não comparam passam a pagar mais que as concorrentes pelo mesmo deslocamento.
- O modelo de cobrança também se movimenta: em vez de taxa por transação, plataformas com preço fixo por usuário ativo tratam a tecnologia como infraestrutura — e permitem que a economia da viagem fique com a empresa.
- A inteligência artificial reduz o custo de gerenciar múltiplas fontes, tornando o multiagência viável para empresas de todos os portes, não apenas para as maiores.
O que a empresa pode fazer hoje
Adotar o modelo multiagência não exige ruptura. O caminho prático começa com três movimentos:
- Medir o custo atual: antes de qualquer decisão, saber o custo total por viagem — não apenas o fee. É esse número que o marketplace ataca.
- Piloto com comparação ativa: rodar parte das compras em ambiente multiagência e comparar o resultado com o histórico, medindo economia real por transação.
- Escolher modelo de cobrança consciente: modelos com preço fixo por usuário ativo, sem taxa por transação, alinham o interesse do fornecedor ao volume de uso — não ao número de bilhetes emitidos.
- Manter o atendimento como critério: a concorrência não elimina a necessidade de plantão emergencial, consultor com histórico do viajante e suporte em situações críticas — na verdade, ela torna esse critério mais visível.
Conclusão
O futuro das viagens corporativas aponta para o modelo multiagência porque ele resolve o problema estrutural do setor: concentrar a disputa comercial no lugar onde está o dinheiro — o custo da viagem —, e não na parcela pequena da taxa. A inteligência artificial torna o modelo administrável, os casos de economia comprovada criam pressão competitiva e o novo formato de cobrança alinha interesses.
Para a empresa compradora, a pergunta prática já mudou: deixa de ser 'qual agência contratar?' e passa a ser 'quantas fontes disputam a minha próxima compra?'. A Uniglobe Pro reúne as peças desse novo modelo: integração ao marketplace de viagens corporativas com comparação instantânea entre agências, inteligência artificial aplicada à gestão, preço fixo por usuário ativo sem taxa de transação e plano gratuito para até 25 usuários ativos, além do atendimento humanizado 24x7.
Perguntas frequentes
O que é o modelo multiagência em viagens corporativas?
É o formato em que diferentes agências homologadas operam dentro da mesma plataforma e disputam cada compra: a mesma solicitação apresenta preços, disponibilidades e condições comerciais de várias fontes na mesma tela, com política de viagens, aprovações e dados centralizados.
O multiagência elimina a agência única?
Não. Os dois formatos coexistem. A empresa pode optar por manter uma relação exclusiva com uma agência ou por operar em ambiente multiagência — e, em ambos os casos, mantém governança, política e suporte emergencial. A diferença é a possibilidade de adicionar concorrência à compra.
Quanto se economiza com o modelo multiagência?
Estudo da Loupit com 164 empresas encontrou diferenças de até 32% entre fornecedores para a mesma viagem. O caso do Grupo Inttra registra economia de R$ 1 milhão já no primeiro mês de operação. Os números variam por empresa, volume e destinos — por isso a recomendação é medir o próprio custo antes de decidir.
Preciso trocar de agência para usar um marketplace?
Não necessariamente. No modelo multiagência, a agência passa a competir dentro da plataforma. A Uniglobe Pro, por exemplo, opera sobre a tecnologia da travel tech Loupit e disputa cada compra no próprio ambiente, mantendo o atendimento e a relação comercial com o cliente.
Quanto custa começar a operar em ambiente multiagência?
Na Uniglobe Pro, o plano gratuito cobre até 25 usuários ativos, sem taxa por transação. Acima disso, a cobrança é de preço fixo por usuário ativo — conta como ativo quem reserva, viaja, aprova ou lança despesa no mês. A implantação leva até 48 horas.















